O que é uma crise de pânico
Um ataque de pânico é uma resposta de alerta do sistema nervoso que dispara sem a presença de ameaça proporcional. Rapidamente o corpo entra em modo de luta ou fuga com possível presença de: coração acelerado, hiperventilação, suor nas mãos, formigamento, tontura, sensação de irrealidade, perda de controle e outros.
O ataque de pânico é descrito como assustador por quem vivencia. As impressões mais comuns de quem sofre com o pânico são: "vou morrer" ou "estou enlouquecendo". Nenhuma das hipóteses é real, na verdade, são catastróficas e exageradas. Entretanto, naquele momento as sensações são tão intensas que pode parecer impossível determiná-las como irreais.
O que acontece no corpo, biologicamente
O sistema nervoso autônomo dispara o eixo HPA (hipotálamo, pituitária, adrenal) que libera adrenalina e cortisol, que são responsáveis por preparar o corpo para reagir a uma ameaça: mais oxigênio, mais glicose, sangue redirecionado para os músculos grandes.
A maior parte dos sintomas físicos vem disso. Eles não são perigosos (por mais que pareçam) e passam sozinhos, por volta de 15 a 30 minutos, tendo seu pico de intensidade próximo dos 10 minutos.
Por que algumas pessoas têm crises e outras não
Não há causa única mas pode haver combinação de:
- Predisposição genética: sistema nervoso mais sensível.
- Aprendizagem: experiências passadas que ensinaram o corpo a responder com pânico em certos contextos.
- Gatilhos atuais: período de muito estresse, mudanças importantes e uso de substâncias (cafeína em excesso, álcool, drogas) podem contribuir com o surgimento do pânico.
- Sensibilidade interoceptiva: algumas pessoas são mais sensíveis e supervalorizam as sensações físicas, isso pode amplificar o ciclo.
Como agir durante uma crise
Estratégias que ajudam a lidar com o pânico:
- Lembre-se que o pânico vai passar. Sintoma intenso não significa situação perigosa.
- Respiração diafragmática ajuda a reduzir a hiperventilação que alimenta os sintomas. Inspire 4 segundos pelo nariz, segure por 2, expire por 6 pela boca; repita algumas vezes.
- Grounding 5-4-3-2-1. Nomeie 5 coisas que você vê, 4 que você ouve, 3 que toca, 2 que cheira e 1 que prova. Essa estratégia ajuda a realocar o foco para o externo através de estímulos presentes naquele momento.
- Não tente "lutar" contra a crise. Quanto mais você resiste, mais ela se mantém. Aceitar o que está acontecendo costuma reduzir a intensidade e a duração.
- Se possível, fique no lugar. Sair correndo ensina ao cérebro que aquele lugar é perigoso e pode desencadear outros ataques quando se envolver naquela situação, local ou atividade.
Como a TCC trata transtorno de pânico
O transtorno de pânico é diferente de um ataque de pânico isolado. Existem protocolos em TCC específicos, com forte evidência de eficácia.
Componentes do tratamento
- Psicoeducação: entender a fisiologia das crises pode reduzir o medo do medo e a ansiedade catastrófica (medo de morrer ou enlouquecer, por exemplo).
- Reestruturação cognitiva: investigar as interpretações catastróficas dos sintomas físicos.
- Exposição interoceptiva: provocar sensações físicas semelhantes às da crise em ambiente controlado, para que o cérebro aprenda que elas não são perigosas.
- Exposição a situações evitadas: lugares ou contextos que se associaram a crises.
- Prevenção de recaída: reconhecer sinais precoces e elaborar estratégias de enfrentamento.
Medicação ajuda?
A medicação é indicada para o tratamento do transtorno do pânico. A combinação de psicoterapia e medicações apresenta resultados positivos. Em casos leves, a psicoterapia pode ser o suficiente. A orientação psiquiátrica é fundamental para compreender e decidir o uso de qualquer psicofármaco.
Próximos passos
Se você está tendo crises e quer entender se vale procurar acompanhamento, a avaliação inicial é gratuita, online, sem compromisso.