O que é ansiedade, clinicamente
A ansiedade é uma resposta natural do organismo à percepção de ameaça real ou percebida/antecipada. Em doses adequadas, ela nos ajuda a lidar com os desafios.
A ansiedade pode se tornar um problema quando essa resposta é exacerbada ou fora de contexto e passa a interferir significativamente em nossas vidas: na rotina, no sono, nas relações e/ou no trabalho.
Transtornos de ansiedade
O termo "ansiedade" é amplo e contempla uma série de quadros clínicos:
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): preocupação excessiva e persistente em diversas situações e contextos diários.
- Transtorno de pânico (TP): crises de ansiedade intensas caracterizadas como ataques de pânico, com foco na percepção de sintomas físicos.
- Ansiedade social (ou fobia social): ansiedade relacionada a situações sociais (avaliação social, envolver-se com pessoas, falar em público e outras).
- Fobias específicas: medo intenso de objetos, animais e/ou situações.
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): marcado por pensamentos intrusivos, obsessões, comportamentos compulsivos e rituais comportamentais ou mentais.
- Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT): ansiedade intensa e reações relacionadas a experiências traumáticas.
Cada quadro clínico apresenta um protocolo e conjunto de técnicas e intervenções específicas que podem contribuir com o bem-estar emocional do paciente.
Por que a TCC é tratamento de primeira linha
A TCC é considerada tratamento de primeira linha para transtornos de ansiedade, recomendada pela OMS, APA e diretrizes clínicas internacionais.
Técnicas efetivas para transtornos de ansiedade
- Psicoeducação: compreender o funcionamento emocional e a relação entre as contingências envolvidas nas situações é fundamental para com o processo psicoterapêutico.
- Reestruturação cognitiva: identificar, reavaliar e reestruturar pensamentos que contribuem com a manutenção do quadro.
- Exposição gradual: enfrentar o que é temido e evitado ajuda a reduzir a intensidade da ansiedade.
- Regulação emocional: técnicas de respiração e mindfulness ajudam a regular a emoção aversiva.
Quando a medicação entra na conversa
Em alguns casos, a psicoterapia de forma isolada pode ser suficiente. Em quadros mais severos ou persistentes, a combinação de psicoterapia e medicação pode apresentar melhores resultados.
O acompanhamento e orientação com um psiquiatra é indispensável. O psicólogo pode encaminhar; é importante destacar que a intervenção psicofarmacológica é papel exclusivo do médico psiquiatra.
Em caso de crise grave
Crises de pânico são desconfortáveis. Existem situações em que o canal mais adequado é ir ao pronto-socorro:
- Sintomas físicos que possam mimetizar problema cardíaco: dor no peito que irradia, falta de ar severa, perda de consciência.
- Pensamentos que possam colocar sua vida e/ou integridade física em risco: procure CVV (188) ou pronto-socorro para atendimento imediato.
Para aprofundar
Material específico por tema nos artigos deste hub.